PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional

Baixar PDI UFPR 2017-2021 – 1. Revisão
Apresentação
Gestão 2016 – 2020

Reitor da UFPR

Prof. Dr. Ricardo Marcelo Fonseca

Vice-Reitora da UFPR

Profª. Drª. Graciela Inês Bolzón de Muniz

Pró-Reitor de Administração

Prof. Dr. Marco Antonio Ribas Cavalieri

Pró-Reitora de Assuntos Estudantis

Profª. Drª. Maria Rita de Assis César

Pró-Reitor de Extensão e Cultura

Prof. Dr. Leandro Franklin Gorsdorf

Pró-Reitor de Gestão de Pessoas

Msc. Douglas Ortiz Hamermuller

Pró-Reitor de Graduação e Educação Profissional

Prof. Dr. Eduardo Salles de Oliveira Barra

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação

Prof. Dr. Francisco de Assis Mendonça

Pró-Reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças

Prof. Dr. Fernando Marinho Mezzadri

Superintendente de Infraestrutura

Prof. Dr. Sérgio Michelotto Braga

Superintendente de Comunicação e Marketing

Prof. Carlos Alberto da Rocha

Superintendente de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade

Prof. Dr. Paulo Vinícius Baptista da Silva

Superintendente do Complexo Hospital de Clínicas

Profª. Drª. Claudete Reggiani

Diretora do Sistema de Bibliotecas

Msc. Josefina Aparecida Soares Guedes

Diretor da Agência de Inovação UFPR

Prof. Dr. Carlos Itsuo Yamamoto

Diretor da Agência UFPR Internacional

Prof. Dr. André de Macedo Duarte

Diretor de Desenvolvimento e Integração dos Campi

Prof. Dr. Helton José Alves

Mensagem Reitor
RESERVADO
Mensagem do Pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças
RESERVADO
1 INTRODUÇÃO

O Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal do Paraná, que abrange o período 2017−2021, vem substituir o documento anterior (2012−2016), reafirmando o compromisso de trabalho com a Sociedade e com o Ministério da Educação, em dar continuidade às atividades pedagógicas e administrativas desta Instituição Federal de Ensino Superior, além de estabelecer novas diretrizes de gestão, capazes de alavancar o crescimento organizacional e potencializar o valor dos serviços e produtos gerados no ambiente universitário público.

Trata-se de um documento de gestão sustentado pela legislação brasileira vigente, de claro período de validade, com robustez para orientar e reestruturar seus pilares administrativo-pedagógicos de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização universitária, além do próprio alinhamento da estrutura diretiva da UFPR.

1.1 Motivação legal

O Plano de Desenvolvimento Institucional da UFPR está fundamentado a um conjunto de instrumentos legais, que em conjunto obrigam, sustentam e orientam a elaboração de um documento que venha a identificar sua filosofia de trabalho, seu propósito de existir e o valor de seus produtos e serviços, percebidos por seu “Principal”, neste caso, a Sociedade.

Sant’Ana et al (2017 p11). no livro eletrônico (ebook) ForPDI, apresenta a legislação que sustenta e obriga as IFES à elaboração do documento de planejamento pedagógico e administrativo:

Resolução CNE/CES nº 10, de 11 de Março de 2002
Portaria MEC nº 7, de19 de Março de 2004
Portaria MEC nº 2.051, de 09 de Julho de 2004
Portaria MEC nº 4.361, de 29 de Dezembro de 2004
Decreto nº 5.773/2006, de 09/de Maio 2006
Portaria Normativa MEC nº 2, de 10 de Janeiro 2007
Portaria Normativa MEC nº 40, de 12 de Dezembro de 2007
Resolução CNE/CES nº 3, de 14 de Outubro de 2010
Resolução CNE/CES nº 1, de 11 de Março de 2016
Decreto nº 9.057, de 25 de Maio de 2017

Considerando então a legislação supracitada, a UFPR desenvolveu seu Plano de Desenvolvimento Institucional com ciclo de vida entre o ano de 2017 e 2021, revisado em 2019.

1.2 Motivação Pedagógica e Administrativa

Com o propósito de aproximar a gestão universitária da governança institucional, a Universidade Federal do Paraná, no final do primeiro semestre de 2018, iniciou os trabalhos de revisão do PDI UFPR 2017 – 2021.

Este documento assume o papel de elemento norteador para as atividades acadêmicas e administrativas, mantendo o status quo de planejamento de nível estratégico da UFPR (já definido na sua versão original de 2017), congregando em si o passivo pedagógico e administrativo oriundos do PDI expirado no final do exercício 2016, afirmando assim, o compromisso de projetar a Instituição para além das fronteiras delineadas pelo seu próprio ciclo de vida, a se encerrar no final do exercício do ano de 2021, momento máximo para a entrega dos resultados de gestão assumidos neste PDI.

A Universidade Federal do Paraná procurou manter sintonia com as instruções para a elaboração do seu Plano de Desenvolvimento Institucional, conforme as orientações constantes ainda no SAPIEnS Sistema de Acompanhamento de Processos das Instituições de Ensino Superior (sistema substituído pelo e-MEC), do Ministério da Educação e, no livro eletrônico (ebook) da Plataforma ForPDI Gestão do Plano de Desenvolvimento Institucional (SANT’ANA et al, 2017). Nesse diapasão, o atual documento, além do seu propósito primeiro de explanar o compromisso do Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal do Paraná junto ao Ministério da Educação, exerce tem também, o status de Documento de Planejamento Estratégico da UFPR, passando a delinear os objetivos e metas da gestão universitária, levantando, e trabalhando indicadores de produtividade, de eficiência e riscos, buscando gerar atributos para o enriquecimento da sua curva de valor, de maneira arrojada e inovadora, com o propósito de oferecer produtos e serviços de qualidade superior, frutos da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão, tendo como fundo embrionário, um ambiente universitário amigável, de estrutura pública, gratuita, inovadora e inclusiva.

2 PERFIL INSTITUCIONAL

Fundada em 19 de dezembro de 1912, a Universidade Federal do Paraná é hoje uma instituição pública de ensino superior, símbolo da intelectualidade paranaense, com missão institucional direcionada para a busca incessante da excelência do ensino, pesquisa e extensão, por meio do desenvolvimento e depósito de ideias e métodos tecnológicos e inovadores. Amparada por seus princípios e valores e, impulsionada por uma visão ousada, todavia realista totalmente possível de ser atingida com trabalho e responsabilidade, almeja posição de destaque nacional e internacional.

Para isso, apresenta neste documento, anteriormente publicado e aprovado pelos órgãos colegiados no primeiro ano do quinquênio 2017 − 2021, uma versão revisada e revalidada, explanando os eixos, ângulos e objetivos estratégicos, as diretrizes e o planejamento para o período restante do quinquênio. Elementos que devem se tornar condutores de um modelo de gestão responsável, de qualidade e comprometida com os anseios comunitários e sociais.

2.1 Missão, Visão, Valores e Princípios

2.1.1 Missão

• “Fomentar, construir e disseminar o conhecimento, contribuindo de forma significativa para a construção de uma sociedade crítica, equânime e solidária.”

2.1.2 Visão

• “Ser uma Universidade de expressão internacional em Ensino, Pesquisa, Extensão e Gestão institucional, abrigo da iniciativa inovadora e cultural, alcançando até 2021 posição de destaque dentre as melhores Instituições de Ensino Superior na América Latina.”

2.1.3 Valores

• Ética Pública e Institucional

Atuar de maneira ética tanto campo do Ensino, Pesquisa e Extensão universitária, como na promoção de práticas adequadas de gestão e do relacionamento do serviço público federal para com a sociedade.

• Tradição

Desde 1912, uma universidade pública, gratuita e de qualidade, trabalhando pela construção de uma nação soberana.

• Ensino de Vanguarda

Formar cidadãos e profissionais técnicos com metodologia e tecnologias de ponta.

• Pesquisa e desenvolvimento tecnológico

Desenvolver pesquisas inovadoras, nas mais diversas áreas do conhecimento, com o propósito de posicionar a ciência brasileira em destaque nacional e internacional.

• Responsabilidade social

Estender à comunidade os benefícios criados no ambiente acadêmico na forma de prestação dos serviços meritórios, de forma ética, segura e democrática.

• Respeito e inclusão

Ser uma instituição inclusiva e defensora dos direitos civis e humanos, de todas as instâncias da sociedade organizada, de forma acolhedora e transparente.

• Projeção internacional

Colocar os jovens cientistas brasileiros no cenário internacional da ciência e do desenvolvimento tecnológico, tornando-se Instituição de destaque num mundo globalizado.

2.1.4 Princípios

Ser, ter e promover:

• A indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão no âmbito Universitário;
• O acesso isonômico ao ensino público, gratuito e de qualidade;
• Ambiente pluralista, onde o debate público é instrumento da convivência democrática;
• Lócus de construção do saber e da disseminação do conhecimento, livre, democrático, ético e sustentável;
• Preservação e disseminação da cultura brasileira;
• O compromisso institucional com a comunidade;
• A efetividade nos resultados institucionais, enquanto órgão público;
• A cultura de planejamento e avaliação contínua da vida universitária;
• Ambiente com níveis de excelência em qualidade de vida acadêmica e de trabalho;
• A administração do bem público de modo democrático, transparente, efetivo e isonômico;
• Fonte de incentivo à evolução da cultura institucional, para que siga ao encontro dos anseios da sociedade e da comunidade acadêmica;
• Formadora de profissionais cidadãos, formadores de opinião e pensamento crítico, inseridos nos propósitos comunitários e sociais;
• Catalisar o debate de políticas públicas inovadoras;
• Ambiente pluralista democrático e seguro, para a inclusão e manifestação das minorias;
• Respeito e responsabilidade no manejo e aplicação dos recursos institucionais e naturais.
2.2 Breve Histórico da Universidade Federal do Paraná

A história da Universidade Federal do Paraná é marcada por grandes feitos e está muito ligada à história de desenvolvimento do Estado do Paraná.

No dia 19 de dezembro de 1912, Victor Ferreira do Amaral e Silva liderou o processo de criação efetiva da Universidade do Paraná, tornando-se o seu primeiro reitor. A fundação da Universidade veio na esteira da prosperidade da economia paranaense, graças à abundante produção e ao bom comércio da erva-mate. Segundo ele, o dia 19 de dezembro que “[…] representava a emancipação política do estado, devia também simbolizar a sua emancipação intelectual”.

Em 1913 a Universidade começou a funcionar, ofertando os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais, Engenharia, Medicina e Cirurgia, Comércio, Odontologia, Farmácia e Obstetrícia. Após um período de dificuldades, com a mobilização das lideranças do estado em 1950, ocorreu a federalização e a Universidade do Paraná tornava-se uma instituição pública e gratuita. Este avanço determinou uma fase de expansão da Universidade. As construções do Hospital de Clínicas em 1953, do Complexo da Reitoria em 1958 e do Centro Politécnico em 1961 comprovam a consolidação da Instituição.

Em 2018 a UFPR completou cento e seis anos, marcados por perseverança e resistência, fruto da audácia de seus fundadores, e do esforço de professores, alunos gestores e técnicos, que passaram pela Universidade ao longo deste tempo, fazem da UFPR hoje, símbolo da capital do Estado, orgulho paranaense, que por sua vez, também se orgulha em ser a primeira universidade pública do Brasil.

O respeito à diversidade e o pluralismo de ideias, ao princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, a universalidade do conhecimento e fomento à interdisciplinaridade, estão presentes nos corredores e salas da universidade. E é com a energia da juventude da comunidade que caminha em direção ao futuro a fim de projetar-se no cenário das grandes instituições.

A UFPR se abriu para a sociedade e, sobretudo, compreendeu que é patrimônio de todo o povo brasileiro, existindo para servi-lo, para abrir novas perspectivas de desenvolvimento humano e para ajudar a construir uma nação soberana, desenvolvida e igualitária. Tornou-se uma realidade factível para as pessoas de diferentes etnias e das mais diversas classes sociais. O compromisso da institucional é com a qualidade do ensino, com a democratização da educação, com a socialização de seus benefícios, com a democracia e com o desenvolvimento cultural, artístico, científico, tecnológico e socioeconômico do País. Manifesta igual preocupação com a paz, com a defesa dos direitos humanos e com a preservação do ambiente.

2.3 A Universidade da Atualidade

2.3.1 A Constituição Administrativa

A Universidade Federal do Paraná, com sede no Município de Curitiba no Estado do Paraná, fundada em 19 de dezembro de 1912 e restaurada em 1º de abril de 1946, é autarquia de regime especial com autonomia administrativa, financeira, didática e disciplinar, mantida pela União nos termos da Lei nº 1.254, de 4 de dezembro de 1950.

Para desenvolver suas competências institucionais a Universidade atua no ensino superior nos níveis de graduação (licenciaturas, bacharelados e cursos superiores de tecnologia) e pós-graduação (stricto e lato sensu), no desenvolvimento da pesquisa e nos programas e projetos de extensão e cultura.

2.3.2 As Instalações

A UFPR está presente em todas as regiões do estado através de seus campi, unidade administrativa e unidade acadêmica. No centro da capital do Estado, a instituição se faz presente através do Campus Reitoria, Campus Saúde, Campus Edifício Central, Campus Estudantes, Campus PROGEPE, Campus Ubaldino do Amaral e Campus Hospital de Clínicas (HC). No bairro Batel encontram-se o Campus Artes e o Campus Centro da Visão. O Campus Agrárias está instalado no bairro Cabral, no bairro Jardim das Américas encontra-se o Campus Politécnico. No bairro Água Verde está o Campus Maternidade Victor Ferreira do Amaral. Ainda em Curitiba a instituição possui Campi nos bairros Juvevê, Jardim Botânico e Rebouças (Edifício Teixeira Soares, reinaugurado no dia 25 de junho e 2018 e em processo de ocupação). Na Região Metropolitana estão instaladas a Fazenda Experimental do Canguiri, no Município de Pinhais e a Unidade Administrativa Piraquara, no município de mesmo nome.

No litoral paranaense a UFPR se faz presente por meio do Campus Litoral, no Município de Matinhos, do Centro de Estudos do Mar, em Pontal do Sul, Unidade Acadêmica de Mirassol, Museu de Arqueologia e Etnologia de Paranaguá e Centro de Administração Federal, também no Município de Paranaguá. No interior do estado a presença da instituição se dá através dos Campi Palotina, Jandaia do Sul, das Unidades Acadêmicas de Maripá e Toledo além das fazendas experimentais em Bandeirantes, Castro, Paranavaí, Rio Negro e São João do Triunfo, ocupando uma área de 15.697.898,37 m2 em terrenos e 585.227,35 m2 de área construída em 314 edificações.

Possui também o Complexo do Hospital de Clínicas, que envolve o Hospital de Clínicas e o Hospital Maternidade Victor Ferreira do Amaral, no qual atua por meio de contrato de gestão com a EBSERH − Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Mantém vínculo com o Hospital do Trabalhador em parceria com o Estado do Paraná e o Município de Curitiba possui um Hospital. Esses hospitais associam a prestação de serviços à população, principalmente nos procedimentos de alta complexidade, à formação de recursos humanos em saúde, como requer a uma instituição universitária.

Fazem parte também da estrutura da UFPR o HV − Hospital Veterinário de Curitiba, ligado ao Setor de Ciências Agrárias e o HV/P − Hospital Veterinário do Setor Palotina, localizado no município de mesmo nome.

2.3.3 Os Números Universitários

Números do final do exercício 2016 mostraram que a UFPR ofertava à comunidade na época, 155 cursos de graduação (104 cursos diurnos, 51 cursos noturnos) com 27.792 alunos matriculados, a CIPEAD − Coordenação de Integração de Políticas de Educação a Distância atendia a 2.913 alunos matriculados; 51 cursos de residência médica 370 médicos residentes matriculados; 32 programas de residência multiprofissional com 222 alunos; 112 cursos de especialização ofertados para 3.999 alunos, 73 cursos de mestrado com 3.371 alunos matriculados e 52 cursos de doutorado com 2.616 doutorandos. Oferecia ainda à comunidade acadêmica da UFPR e a sociedade em geral, mais de um milhão e duzentos mil itens bibliográficos, disponíveis em 20 bibliotecas físicas, e mais de 50.000 itens digitais armazenados nas Bibliotecas Digitais da UFPR.

Figura 1: Distribuição de matrículas na UFPR

Para desenvolver estas atividades contava no final do exercício 2016, com um corpo docente com 2.632 professores dos quais 2.428 (15 graduados, 42 especialistas, 348 mestres e 2023 doutores) pertencentes ao quadro efetivos e 204 são professores substitutos ou professores visitantes. Um corpo técnico-administrativo composto por 3.715 servidores do Regime Jurídico Único (RJU) dos quais 1.824 lotados no Complexo Hospital de Clínicas.

Figura 2: Distribuição da titulação docente na UFPR

Figura 3: Composição do quadro de servidores da UFPR

Resultam, assim, mais de quinze milhões de metros quadrados de área total – incluindo a não-edificada – e uma comunidade superior a 46 mil pessoas entre discentes e servidores.

Figura 4: Distribuição de terrenos e área construída da UFPR

Tabela 1: Distribuição de terrenos e área construída da UFPR

Localização

Área (m2)

Terrenos

Construída

R.M. Curitiba

5.597.274,04

520.827,02

Litoral

114.484,75

20.043,07

Interior

618.691,32

22.898,10

Fazendas

9.367.448,26

21.459,16

2.4 O Complexo Hospital de Clínicas

O Hospital de Clínicas é um órgão suplementar da Universidade Federal do Paraná, inaugurado em 5 de agosto de 1961. Atualmente, é o maior hospital público do Paraná e o terceiro hospital universitário federal do país.

É o hospital universitário da UFPR, referência no ensino, pesquisa e extensão das diferentes áreas da saúde, conveniado no Sistema Único de Saúde, presta atendimento à sociedade nos níveis terciário e quaternário e, articulado com a rede pública de saúde no sistema referência e contra referência nos níveis primário e secundário. Atendeu até 2016, uma demanda de cerca de 3.760 alunos/ano de graduação de ciências da saúde como: medicina, enfermagem, nutrição, farmácia, odontologia, terapia ocupacional, psicologia. Atividades de ensino, extensão e pesquisa consolidaram-se rotineiramente no HC-UFPR por meio de estágios supervisionados, atividades de extensão junto à comunidade assistida e pesquisa articulada com a assistência hospitalar. Nesse sentido, além das atividades de graduação, ofereceu vagas para 51 programas de residência médica e 32 programas para residência multiprofissional na área da saúde. Abrigou ainda programas de mestrado e doutorado. Realizou em 2016 quase três milhões de procedimentos, dentre eles atendimentos ambulatoriais, cirurgias, internações e exames. Todo o atendimento financiado com recursos do SUS, sendo o maior prestador de serviços públicos e gratuitos no Paraná. Possuía a época 545 leitos físicos em 49 unidades de internação, dos quais 400 estão ativos e contratados com o Sistema Único de Saúde.

A partir da contratação com a EBSERH − Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, em 30 de outubro de 2014, tanto o Hospital de Clínicas da UFPR, quanto o MVFA− Hospital e Maternidade Victor Ferreira do Amaral, ambos os hospitais universitários (HUs) pertencentes à Universidade Federal do Paraná, passaram a atuar sob a mesma esfera administrativa denominada de Complexo Hospital de Clínicas − CHC.

2.5 A Inserção Regional, Nacional e Internacional

A Universidade Federal do Paraná, além da sede Curitiba, está presente fisicamente também nos Municípios de Piraquara e Pinhais, ambos na região metropolitana da capital e, em sete outras localidades do interior Estado do Paraná, onde estão instalados os campi Centro de Estudos do Mar (Município de Pontal do Paraná), Jandaia do Sul (em município de mesmo nome), Litoral (Município de Matinhos), Palotina (Município de Palotina), as Unidades Acadêmicas de Balneário Mirassol (Município de Pontal do Paraná), e também nos Municípios de Maripá e Toledo.

Nessas regiões são ofertados diferentes cursos de graduação: Agroecologia, Artes, Ciências, Ciências Exatas, Computação, Educação do Campo, Educação Física, Engenharia Agrícola, Engenharia Ambiental e Sanitária, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Aquicultura, Engenharia de Produção, Geografia, Gestão Ambiental, Gestão de Turismo, Gestão e Empreendedorismo, Gestão Imobiliária, Gestão/Administração Pública, Informática e Cidadania, Linguagem e Comunicação, Medicina, Oceanografia, Saúde Coletiva e Serviço Social.

Com o intuito de acompanhar a expansão e interiorização da UFPR, em 2017 foi criada a DACA – Diretoria de Apoio aos Campi Avançados, a qual foi ampliada e instituída regimentalmente em 2019 como órgão executivo da administração, vinculado a Reitoria da Universidade Federal do Paraná e rebatizada de INTEGRA – Diretoria de Desenvolvimento e Integração dos Campi. A INTEGRA tem a competência de atuar como um órgão catalisador e acelerador de projetos de desenvolvimento institucional, promovendo a articulação das diversas instâncias e representações da instituição, percebendo as necessidades da comunidade e apresentando a esta, de forma sistêmica, soluções para o desenvolvimento integrado e sustentável.

A inserção regional também se verifica pela existência de cinco fazendas experimentais no Estado: Bandeirantes, Castro, Paranavaí, Rio Negro e São João do Triunfo. Além do Museu de Arqueologia e Etnologia de Paranaguá.

Também, por meio do Programa Vale do Ribeira da UFPR, foram desenvolvidas ações de ensino, pesquisa e extensão, nas áreas de educação, saúde e desenvolvimento sustentável junto às comunidades dessa região do Estado, onde os municípios apresentam baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal).

Tabela 2: Dados do IDH/M 2000/2010

Município

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M)

Ranking Estadual

Ranking Nacional

Adrianópolis

0,683 / 0,667

374 / 331

3268 / 2752

Bocaiúva do Sul

0,719 / 0,640

273 / 369

2655 / 3308

Cerro Azul

0,684 / 0,573

372 / 398

3254 / 4801

Doutor Ulysses

0,627 / 0,546

398 / 399

4179 / 5267

Itaperuçu

0,675 / 0,637

381 / 374

3365 / 3373

Rio Branco do Sul

0,702 / 0,679

330 / 307

2953 / 2475

Tunas do Paraná

0,686 / 0,611

370 / 390

3221 / 3900

Nota: dados do IDHM referentes a 2000 / 2010

Fontes: PNUD/IPEA/FJP;IPARDES – Tabulações Especiais Disponível em: www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/download. Acesso em 2017

Em 2016, a UFPR fez uso do seu programa de mobilidade acadêmica nacional que possibilitou o intercâmbio entre alunos de instituições públicas com a finalidade de ampliar a experiência acadêmica dos estudantes, facilitando-lhes a oportunidade de conhecer novas realidades e buscar o enriquecimento da formação acadêmica.

A inserção internacional da UFPR se dá por meio de programas da PRPPG, com programas de mestrados sanduíches e programas da Agência UFPR Internacional. Dentre outros programas, a AUI faz a gestão de mobilidade acadêmica vinculada à AUGM − Associação de Universidades do Grupo Montevidéu, ao Grupo Tordesilhas, Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras e ao Erasmus+.

A UFPR é signatária do protocolo do Ministério de Relações Exteriores que destina vagas a alunos oriundos de países em desenvolvimento, latino-americanos e de língua portuguesa. Os programas derivados da assinatura do protocolo são o PEC-G − Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, e o PEC-PG − Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação. Esta mobilidade permite que os alunos fiquem até um ano fora de seu país por meio dos Programas de Intercâmbio. Este intercâmbio é viabilizado por meio de termo de cooperação assinado entre a UFPR e outras universidades estrangeiras.

Há ainda o Programa de Reingresso, destinado ao acolhimento e inserção de alunos refugiados ou em situação de risco.

Em termos de pesquisa e pós-graduação a Universidade Federal do Paraná ocupava no ano de 2017, lugar de destaque no conjunto das IFES brasileiras, como a 8ª instituição no país e como 1ª colocada no Estado do Paraná pelo ranking da Folha de São Paulo.

Vale salientar que a UFPR mantém colaborações com várias instituições, por meio de projetos de pesquisa, ou pela participação em programas de pós-graduação interinstitucionais, iniciativas que buscam aprimoramento institucional.

O centésimo quarto ano da UFPR foi celebrado, em 2016, com importantes conquistas: Na graduação: foram criados no SACOD − Setor de Artes, Comunicação e Design, os cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Design de produto e Design Gráfico, no SL − Setor Litoral, os cursos de Geografia e Administração Pública e no SP − Setor Palotina, o curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia. Foram criados 3 novos departamentos, sendo dois no Setor de Ciências Humanas: O DELIN − Departamento de Linguística e Letras Clássicas, foi desmembrado, criando o Departamento de Polonês, Alemão e Letras Clássicas, enquanto o DELIN passou a denominar-se Departamento de Literatura e Linguística. Foi criado também, o Departamento de Ciência Política. E no Setor de Ciências Biológicas, foi criado Departamento de Prevenção e Reabilitação em Fisioterapia.

Aconteceu a transformação da ARI − Assessoria de Relações Internacionais em AUI − Agência UFPR Internacional, propiciando maior representatividade e agilidade ao órgão que assim poderá desenvolver suas atividades de forma mais autônoma. Dentro da política de relações internacionais, públicas com a finalidade de ampliar a experiência acadêmica dos estudantes, facilitando-lhes a oportunidade de conhecer novas realidades e buscar o enriquecimento de sua formação acadêmica.

Dentro da política de relações internacionais, a atual administração considera estratégica a consolidação dos acordos de cooperação tradicionais, além de criar novas oportunidades com instituições de países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos economicamente. Neste sentido foram geradas novas oportunidades de cooperação e intercâmbio estudantil com Universidades da América do Norte, Ásia, América do Sul e África. A UFPR possui atualmente 185 acordos de cooperação vigentes, intermediados pela Agência UFPR Internacional, com instituições de ensino superior e pesquisa dos cinco continentes. Estes acordos contemplam cooperação científica e tecnológica, intercâmbio acadêmico e interação cultural. Nos últimos anos tem-se ampliado o intercâmbio estudantil na graduação. Destacam-se neste item atividades com Universidades da Europa, principalmente da Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal.

Também a ACS − Assessoria de Comunicação Social passou a ser SUCOM −Superintendência de Comunicação e Marketing, com o objetivo de propiciar maior autonomia de ação nas atividades pertinentes à sua gestão.

A partir de dezembro de 2016 a UFPR adotou definitivamente o uso do SEI – Sistema Eletrônico de Informações, que propõe mais celeridade ao trâmite de processos e também assegura o cumprimento dos prazos estabelecidos, a transparência da tramitação, economia de tempo, de despesas de deslocamentos e de insumos.

Em dezembro de 2016, foi inaugurada a pista de atletismo da Universidade, classificada com padrão A2, o que a capacita a instituição receber competições nacionais e internacionais de nível oficial.

Em dezembro de 2017, o COPLAD aprovou regimento de criação da SIPAD – Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade, uma meta alcançada deste PDI atingida no início do quinquênio 2017 2021. A referida Superintendência articula uma série de ações desenvolvidas na UFPR e implanta outras, nas áreas de educação em direitos humanos; políticas de gênero e sexualidade; políticas de promoção de igualdade racial; educação indígena e interculturalidade; políticas de inclusão para pessoas com deficiência; políticas de inclusão para surdos e surdas; políticas para povos do campo, de comunidades tradicionais e quilombolas; políticas para migrantes e refugiadas humanitários. Implantou uma área de acolhimento de vítimas de discriminação (estudantes; servidores docentes e técnico-administrativos) com apoio psicossocial para vítimas, mas é acompanhamento e ações de prevenção e educação nos espaços institucionais. A SIPAD coloca a instituição na vanguarda das universidades brasileiras no que se refere ao respeito aos direitos humanos, a diversidade e à promoção da inclusão e igualdade étnico-racial e de gênero.

Mais um grande marco para a UFPR ocorreu com a entrega à comunidade universitária do Campus Rebouças, por meio da revitalização do Edifício Teixeira Soares, antiga sede administrativa da RFFSA − Rede Ferroviária Federal no Paraná, passando a integrar a estrutura da UFPR.

Pós-graduandos da UFPR de diferentes programas têm participado do Programa de Desenvolvimento Educacional que se cristalizam em colaborações científicas, além de iniciativas que permitem a bititulação. A participação nos programas de cooperação bilateral como àqueles com a Alemanha (CAPES−PROBAL), Argentina (CAPES−SECYT), Espanha (CAPES−MECD), França (CAPES−COFECUB), Portugal (GRICES) e com os Estados Unidos (CAPES−FIPSE e CAPES/UTEXAS) é consolidada na UFPR. Esses termos de cooperação fortalecem a Instituição, pois demonstram que nos últimos anos, por meio das ações nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, a UFPR tem se firmado como uma das importantes universidades no cenário nacional. Além de trabalhar em prol da inclusão de estudantes na Universidade, avançam na busca de novas possibilidades de inserção da UFPR na comunidade internacional.

2.6 O Histórico de Implantação e Desenvolvimento Institucional

Idealizada por Rocha Pombo em 1892 e concretizada pela ousadia de intelectuais paranaenses, entre eles Victor Ferreira do Amaral, que em 19 de dezembro de 1912, a Universidade Federal do Paraná foi criada, com aprovação dos estatutos e eleição da primeira diretoria, apoiada pelo Governo do Estado do Paraná e pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Passou a instituição pública federal pela Lei N° 1254, de 4 de dezembro de 1950, com sede e foro na capital.

A UFPR se tornou patrimônio da sociedade paranaense, existindo para servir, abrir perspectivas de desenvolvimento humano e para ajudar a construir uma nação soberana, pujante e igualitária. Neste século de existência expandiu seus campi ao interior do Estado, hoje em três municípios além de Curitiba, ampliou seu quadro discente a mais de 30 mil alunos, 85% deles no nível graduação e os demais nos níveis mestrado, doutorado, especialização e residência multiprofissional. Alcançou em seu corpo de servidores o expressivo número de 6.347 pessoas, sendo mais de um terço composto por docentes (41,5%) e consolidou tradição em ações de ensino de graduação e pós-graduação, de pesquisa, de extensão, de cultura e de disponibilização de serviços à comunidade, incluindo transferência de tecnologias.

Além de assegurar o grau de excelência no exercício de suas atividades-fim, a Universidade Federal do Paraná dirige esforços hoje em prol de uma maior eficiência na gestão, conforme adiante este documento evocará, e para prosseguir atendendo as demandas crescentes que se apresentam no desenvolvimento de produtos e de ações inovadoras, na preocupação com a sustentabilidade ambiental e nas políticas de inclusão social. Trata-se de algumas das ações que a UFPR institucionalizou na última década, consoante o compromisso de permanentemente responder às exigências de seu tempo e da sociedade, e que continuará sendo consolidado no elenco de diretrizes e metas do presente PDI.

2.7 A Expansão do Ensino Superior

A política de expansão da educação superior no Brasil tem sido objeto de estudo de muitos educadores e pesquisadores. Publicações enfatizam que sua análise não pode deixar de considerar as metas traçadas no PNE – Plano Nacional de Educação, que estabelecem os compromissos de matricular no ensino superior, metade da população da faixa etária apropriada, ou seja, 18 a 24 anos, até 2024 e de ter 40% das matrículas em instituições de educação superior públicas.

Historicamente, e em especial nas últimas quatro décadas, a educação superior no Brasil passou por duas fases de forte expansão. A primeira delas coincidiu exatamente com o período militar. De 1964 a 1980 o número de matrículas nesse nível de ensino aumentou quase dez vezes. Contraditoriamente, no período subsequente, de abertura política e redemocratização do país (1980-1995), o sistema apresentou um crescimento meramente vegetativo.

Em 1980, havia 882 instituições de educação superior no país. Em 1995, apenas 12 instituições tinham se agregado ao sistema, contabilizando um modesto crescimento de 1,36% no período (MACEDO, 2005, p. 3).

A segunda fase de forte expansão iniciou-se a partir de 1996. Em 12 anos (1996-2007), segundo dados do Censo da Educação Superior 2007, outras 1387 novas escolas de nível superior foram criadas.

O Censo da Educação Superior do MEC 2015 registrou a existência de 2.364 instituições de educação superior. Esse aumento do número de instituições desencadeou uma elevação do número de matrículas, que chegaram a 4.880.381 alunos matriculados em 2007. Porém esse crescimento se deu majoritariamente na educação superior privada de tal sorte que desse total 25,4% das matrículas são em instituições públicas e 74,6% em instituições privadas.

O ano de 1996, com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e criação dos centros universitários como uma nova forma de organização acadêmica, inaugurou uma nova fase da história da educação superior no Brasil. A partir desse ano, o sistema privado começou a se expandir numa velocidade inédita.

Em 2017, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2015, existia um sistema em retração, com 87,5% das instituições de categoria administrativa privada e configuradas como de pequeno porte, sendo 4,3% de universidades, 6,8% de centros universitários e 88,9% de outras organizações acadêmicas, o que define um sistema de educação superior diversificado, mas não universitário. O sistema público de ensino sofria forte contingenciamento de recursos, exigindo uma crescente eficiência na gestão e uma eficácia na captação de recursos extra orçamentário, de forma que a UFPR pudesse continuar a cumprir sua missão institucional.

Com base neste panorama de ensino de graduação, descortinado pelo Censo da Educação Superior de 2014, surgiu um sistema em que a participação das instituições públicas representa uma participação de 24,3% no número de matriculados em cursos de graduação. Deste universo fizeram parte 295 instituições (das quais 107 são universidades) respondendo por 1.952.145 matrículas (das quais 1.663.222 são em universidades), enquanto que as 2.069 instituições privadas atendiam à época, 6.075.152 estudantes.

Então, durante a elaboração da primeira versão deste PDI, o REUNI – Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, pôde ser considerado como o responsável pela última grande ampliação no quadro de docentes e discentes na UFPR, motivando agora a busca por uma melhoria qualitativa nos indicadores de desempenho. Com uma taxa de escolarização bruta de 34,6% da população na faixa etária de 18 a 24 anos e com uma taxa de escolarização líquida de 18,1% (dados de 2015) há muito ainda a ser feito para o alcance das metas do PNE, em especial no decênio 2011-2020. Por isso, não obstante sua oportunidade e pertinência, a expansão do sistema público federal de educação superior deve estar associada, do ponto de vista acadêmico, a reestruturações curriculares que proporcionem maior mobilidade estudantil, trajetórias de formação flexíveis, redução das taxas de evasão, utilização adequada de pessoas e recursos materiais colocados à disposição das universidades federais.

A CMES 2009 − Conferência Mundial de Educação Superior, realizada em Paris de 5 a 8 de julho de 2009, apontou que o novo papel da universidade na realidade atual é “estar comprometida com o desenvolvimento econômico, social e humano das sociedades”. ‘Há muito a fazer e creio que a declaração final da CMES 2009 nos orienta a princípios e valores coerentes para enfrentar os desafios atuais, a partir da perspectiva de cooperação internacional solidária’ (CMES, CARVALHO, 2009). A CMES 2009 enfatiza assim a necessidade de compartilhar avanços, experiências, programas e projetos reforçando a integração e promovendo a cooperação entre todos os países. Presente à reunião, o Ministro da Educação do Brasil reforçou que “temos que impedir o progresso da tendência à privatização do ensino superior, mas sem excluir alianças com o setor privado, que deve também ser objeto de rigorosa avaliação”.

Ressalta-se a necessidade de um novo tipo de instituição de educação superior, com dimensão empreendedora, mas também de excelência na prestação do serviço público, com capacidade de desenvolvimento e inovação e eficiência no seu funcionamento. Assim a UFPR enfrenta o desafio de se mostrar uma organização ambidestra, apresentando capacidade de inovação e, ao mesmo tempo, excelência operacional.

2.7.1 Educação Superior no Paraná – aspectos históricos

No Paraná, diferentemente do que acontecia nos centros maiores do país no início do século XX, o contexto exigiu que a primeira instituição de educação superior não fosse uma faculdade isolada, mas uma universidade. Os fatos que levaram, em final do século XIX, um estado tão novo na Federação, que até há pouco tempo havia sido Comarca de São Paulo, a desenvolver e levar a termo a ideia da criação de uma universidade são relatados principalmente por Wachovicz (1983), Westphalen (1987) e Faraco (2002), autores que fundamentam os dados históricos da fundação e instalação da Universidade do Paraná.

Os antecedentes remontam às históricas lutas pelas terras, que marcaram a ocupação do território paranaense. Uma das mais ferrenhas ocorreu por problemas fronteiriços com Santa Catarina, no início do século XX, sobre o território que ficou conhecido como Contestado. A situação foi agravada pela concessão de terras a estrangeiros construtores de ferrovias na região. Wachovicz (1983), defende a tese de que essa questão está de alguma forma, articulada à ideia de criação da Universidade do Paraná.

Durante a questão do Contestado, um dos políticos que demonstrara maior sensibilidade pela causa paranaense havia sido Victor Ferreira do Amaral, médico, representante da elite campeira. Sua atuação nesse processo o levou à conclusão de que faltava ao Paraná “massa crítica” para defender suas causas. Para comprovar essa hipótese, realizou pessoalmente, no início do século, um levantamento dos paranaenses formados, e constatou que havia nove médicos, quatro engenheiros e um número [não registrado] mais significativo de bacharéis em direito.

O Estado contava com um fato antecedente nesse campo: a tentativa de Rocha Pombo, em 1891, de criar, sozinho, uma universidade. Para isso obteve autorização pela Lei n° 93 do Congresso Legislativo Estadual, em 1892. Porém tal iniciativa não passou do lançamento da pedra fundamental. (WESTPHALEN, 1987, p. 9). Esse projeto não foi além por pressão do movimento em favor do federalismo educacional. Assim, sem conseguir o apoio dos políticos locais e federais, o autor acabou desistindo da ideia.

A ideia de educação superior foi a de garantir uma cultura geral, subsidiando a ação no mundo do trabalho, haja vista que Victor Ferreira do Amaral defendia a formação em cursos superiores como fundamento para o exercício de qualquer atividade profissional.

Evidencia-se a ideia de se criar uma universidade para difundir conhecimento, se não para as massas em geral, pelo menos para uma classe média, que aqui preponderava. Seria uma universidade “que segundo jornal da época formaria ‘o homem que sabe, em oposição ao homem que finge saber” (MOREIRA, 2002 p. 9).

Assim, o modelo de universidade pretendido ainda não incluía a pesquisa, era meramente de ensino. Tratava-se de promover o ensino para paranaenses, mas com um conteúdo fundamentado mais em formação básica geral do que especificamente profissionalizante. Talvez se possa inferir que o cunho moral de formação do cidadão culto aproxima de alguma forma, a instituição, em seus primeiros tempos, do modelo inglês.

Paralelamente ao grupo liderado por Victor do Amaral, havia surgido outro, que defendia, também, a criação da Universidade Paranaense. Esse tinha um de seus expoentes na pessoa do militar positivista Nilo Cairo. A união desses dois grupos possibilitou a criação da universidade cujo respaldo legal foi dado pela Lei Rivadávia Correia, de 1911, que desoficializou e liberou o ensino superior no país, pertencendo ao grupo de instituições que Luiz Antônio Cunha chamou de “Universidades passageiras” (CUNHA, 1986, p. 198-211) no qual se incluem, também, a Universidade de Manaus, criada em 1909 e dissolvida em 1926, e a Universidade de São Paulo, fundada em 1911 e que encerrou suas atividades em 1917.

Nesse contexto, foi fundada e instalada a Universidade. Os primeiros cursos ofertados foram: Ciências Jurídicas e Sociais, Engenharia, Comércio, Odontologia, Farmácia e Obstetrícia, e, em 1914, Medicina e Cirurgia. Victor do Amaral foi seu primeiro reitor, permanecendo no cargo, mesmo que simbolicamente, até 1948.

Os anos 50 e 60, por sua vez, foram marcados por expressiva expansão física, com destaque ao Complexo da Reitoria, Centro Politécnico e Hospital de Clínicas. A UFPR consolidava-se, então, como universidade multicampi. Nos anos subsequentes incorporou o antigo Colégio dos Jesuítas de Paranaguá, hoje o Museu de Arqueologia e Etnologia, e a Escola de Educação Física e Desportos do Paraná (1977); e inaugurou as sedes do Setor de Ciências Biológicas, no Centro Politécnico (1979) e do Centro de Biologia Marinha em Pontal do Sul (1981).

No final dos anos de 1960, houve a criação da BC − Biblioteca Central e até o final dos anos 1980, formou‐se o Sistema de Bibliotecas. Em 1968 num esforço conjunto da Escola de Engenharia, da Escola de Medicina e do Departamento de Histologia a Reitoria inaugura o Centro de Microscopia Eletrônica, o primeiro na região Sul do Brasil e um dos pioneiros do País.

Em 30 de agosto de 1971, por iniciativa de professores do curso de Engenharia Florestal, foi instituída a FUPEF – Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, entidade de direito privado sem fins lucrativos, para ser uma instituição autônoma com o objetivo de viabilizar diversas atividades que até então eram realizadas pelo então CPF – Centro de Pesquisas Florestais (em funcionamento desde 1968, quando foi criado para dar apoio ao Convênio com a FAO – Food and Agriculture Organization−, da ONU – Organização das Nações Unidas [1967-1969]). Inicialmente a FUPEF atuou junto aos cursos de Engenharia Florestal e Engenharia Industrial Madeireira, a partir de 2011 teve seu estatuto alterado para ampliar as suas áreas de atuação.

Em 1980, deu-se a instalação da FUNPAR − Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura. Em 1993 a UFPR dá início à sua interiorização no Paraná mediante a criação do Campus Palotina e de centros de pesquisa agrícola e florestal em quatro municípios. Outras três expansões físicas muito significativas consistiram na inauguração da Escola Técnica (atual SEPT – Setor de Educação Profissional e Tecnológica), em 1994; do Campus Jardim Botânico, em 1997; e do Setor Litoral, já no novo Século XXI. Na continuidade da expansão, foram criadas as unidades em Jandaia do Sul e Toledo.

Quanto ao Estado do Paraná, no Censo do Ensino Superior 2017 publicado pelo INEP, os dados mostram 189 instituições, das quais 13 são públicas sendo 4 federais (3 delas na capital do estado), 7 estaduais, todas sediadas no interior do Estado e 3 municipais, também em cidades do interior.

Tabela 3: Instituições de ensino superior no Paraná

Categoria Administrativa

Federal

Estadual

Municipal

Privada

Total

Capital

Interior

Capital

Interior

Capital

Interior

Capital

Interior

Capital

Interior

Universidades

2

1

0

7

0

0

3

2

5

10

Centros Universitários

0

0

0

0

0

1

8

7

8

8

Faculdades

0

0

0

0

0

1

45

111

45

112

IFs e CEFETs

1

0

0

0

0

0

0

0

1

0

TOTAL GERAL

3

1

0

7

0

2

56

120

189

2.8 Cenários e Perspectivas

2.8.1 No Campo das Políticas Públicas

As diretrizes da política acadêmica em desenvolvimento nas universidades, em especial nas universidades públicas, requerem a aceitação tácita de que tanto na graduação como na pós-graduação as tendências internacionais exercem influência significativa no fazer acadêmico.

O século XXI acentuou enormemente a importância do contexto mundial, de tal sorte que hoje os estudiosos das questões acadêmicas destacam em seus estudos e investigações as consequências da “mundialização” e “globalização” sobre os processos de formação na educação superior, que não podem mais ser pensados nos limites das fronteiras nacionais.

O exemplo do movimento de revisão desencadeado na Europa a partir do Processo de Bolonha, implantado em 1999 e que, ao completar quase 20 anos, apresenta reflexões importantes sobre os resultados possíveis na reconfiguração de sistemas de educação superior, com exigências locais diferenciadas, e do ENLACES, como perspectiva de construção de um espaço comum latino-americano para responder às exigências de uma educação superior que congregue necessidades globais com os desafios cotidianos dos problemas locais, dá bem a dimensão da importância da internacionalização no papel a ser desempenhado pelas instituições de educação superior.

A verdade é que, não obstante a enorme gama de estudos e os espaços de reflexões nacionais e internacionais, a missão básica da educação superior permanece vinculada a quatro objetivos principais:

• A produção de novos conhecimentos (função de pesquisa);
• A formação de pessoal altamente qualificado (função de ensino);
• A integração do ensino e da pesquisa com demandas sociais, buscando comprometimento da comunidade universitária, e estabelecendo mecanismos que inter-relacionem o saber acadêmico ao saber dos demais segmentos da sociedade (função da extensão);
• A função ética, que inclui a cidadania e a crítica social dentro do princípio do livre pensar.

Os debates que têm sido travados deixam claro que, com o avanço da ciência e da tecnologia, os representantes dos países industrializados, de á muito conscientes de que o saber, o conhecimento e a informação tornaram-se os elementos motores da sociedade mundial, buscam todas as formas de defesa do acesso universal à educação superior.

Mas, não há que confundir informação com conhecimento. Informação é um conjunto de dados, com significado, a ser transformado em conhecimentos. O conhecimento pressupõe uma capacidade crítica de transmissão de informações e de aprendizagem que permite a transformação do arcabouço de informações em um conjunto de saberes com a capacidade de gerar a transformação necessária para o desenvolvimento. Observe-se que os países ditos ricos e desenvolvidos (ou aqueles que almejam atingir essa condição) investem maciçamente na pesquisa científica e tecnológica.

É evidente que, para atingir um estado de maior desenvolvimento endógeno, autossustentável, humano ou apenas para serem independentes, os países em desenvolvimento necessitam de mais conhecimento, de mais saberes, de mais tecnologia. Os saberes são produzidos basicamente nas universidades e quem os desenvolve são os cidadãos formados nos estabelecimentos de educação superior, isto é, os cientistas, os engenheiros, os pesquisadores, os cientistas sociais, os educadores e outros tantos profissionais cidadãos.

No momento em que a educação superior sofre as influências do processo de globalização da economia e da consequente queda das fronteiras do conhecimento, mais e mais espaços se abrem para os intercâmbios de conhecimentos seja no nível de graduação, seja no nível da pós-graduação.

O estreitamento das relações culturais intra e interpaíses têm-se constituído em elemento favorecedor da mobilidade acadêmica e da qualidade do processo de formação.

2.8.2 No Campo do Planejamento e da Avaliação

Buscando uma participação plural no processo de planejamento do desenvolvimento institucional de nossa instituição, a PROPLAN − Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças, convidou a comunidade universitária a uma ampla discussão a respeito dos objetivos estratégicos para o quinquênio 2017–2021.

2.8.3 Uma Universidade Ética

A Universidade Federal do Paraná busca de modo incessante e permanente a manutenção dos princípios éticos e, o alinhamento administrativo e pedagógico com os princípios republicanos do Estado democrático de direito. Instrumenta-se com legislação em vigor para constituir a Comissão de Ética da UFPR:

“Cada Comissão de Ética de que trata o Decreto Nº 1171 de 22 de junho de 1994, será integrada por três membros titulares e três suplentes, escolhidos entre servidores e empregados do seu quadro permanente, e designados pelo dirigente máximo da respectiva entidade ou órgão, para mandatos não coincidentes de três anos.” (Decreto Nº 6029 de 01 de Fevereiro de 2007 Art.5)

Em razão disso, a Instituição suporta uma estrutura organizada para o desenvolvimento das questões institucionais éticas, sob a orientação de um plano de trabalho construído para nortear a atividades e ações da equipe que compõe a Comissão de Ética Setorial no âmbito da UFPR.

A UFPR entrega à sociedade paranaense produtos e serviços resultantes da engrenagem das ações de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária, embriões de um ambiente inovador, contemporâneo e ético. Ética essa, que vem ao encontro dos pensamentos e diretrizes da gestão institucional, compartilha com toda a comunidade universitária, promovendo o zelo dos direitos constitucionais do cidadão, do manejo consciente e respeitoso dos recursos públicos, naturais, culturais e econômicos.

3 Pilares estruturantes do planejamento estratégico da Universidade Federal do Paraná

A UFPR, em consonância com princípio constitucional, artigo 207, seção I, Capítulo II, Título VIII, que atribui às universidades, pleno gozo de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, obedecendo ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa, apresenta seus os eixos estruturantes da gestão estratégica da Universidade, que permeiam a administração central da instituição, e fundamentam o planejamento estratégico da UFPR para o quinquênio de vigência deste PDI:

Ensino: É a principal razão de existir da UFPR, trata do diretamente da cadeia de valor da UFPR. Quesitos como diplomação, exploração da capacidade ociosa de ensino, relação acesso, evasão e diplomação, titulação docente e conceito de curso, indicam além do nível qualitativo do produto UFPR, quanto ao crescimento institucional no meio corporativo em que está inserido.

Pesquisa: Outro importante termômetro do comportamento institucional, tanto interno, quanto externamente. É representado pelo valor agregado ao produto UFPR, após ser submetido ao labor tecnológico e inovador. Este resultado vem se somar ao ensino e às atividades de extensão e marcar a qualidade e reconhecimento da marca e do produto UFPR.

Extensão: O compromisso social da Universidade com as políticas públicas e as demandas da sociedade se faz presente por meio das atividades de extensão (programas, projetos, cursos, eventos, oficinas e prestação de serviços) a partir de princípios inerentes, tais como: a relação dialógica de construção do conhecimento e o impacto na transformação social. Dessa forma contribui para o desenvolvimento regional e nacional e na garantia dos direitos humanos e da diversidade. Esta concepção leva não apenas a marca UFPR para fora dos limites institucionais, mas também exerce importante papel sociocomunitário, oferecendo fomento à cultura brasileira e regional, e levando serviços meritórios de qualidade, desenvolvidos nas instâncias da pesquisa e do ensino universitário.

Inovação: Como não poderia deixar de ser, para a construção de uma sociedade desenvolvida, consciente e sustentável, a sua Universidade precisa estar amplamente ativa e em sintonia com o mundo globalizado, ciente das necessidades sociais de tecnológicas modernizadas, produtoras de produtos e serviços, no amplo espectro da indústria, comércio e serviços, capaz de não apenas acomodar a qualificada mão de obra por ela gerada, mas também, mas também provocar novas demandas de mercado e valor socioeconômico para o cidadão.

Internacionalização: Em consonância ao crescente processo de globalização dos mercados e da integração do conhecimento e da tecnologia, a universidade inovadora necessita se posicionar, não apenas entres as melhores no âmbito nacional, mas também ampliar a visão de instituição instalada num ambiente globalizado. Abraçando parcerias de ensino, de novas tecnologias e expansão cultural. A Universidade Federal do Paraná, por meio da sua Agência UFPR Internacional, busca ampliar as fronteiras do conhecimento universitário e científico, por meio de programas de relacionamento institucional de esfera internacional, absorvendo de docentes estrangeiros e abrigando discentes oriundos de vários países.

Gestão: Conjunto de políticas, objetivos, técnicas, processos, operações, ferramentas e pessoas que conduz o complexo administrativo da Universidade Federal do Paraná. Define os horizontes institucionais e o plano de governança institucional, dando suporte aos demais pilares que sustentam o propósito de existir da Universidade. Desenvolve e dissemina as práticas de compliance institucional, evitando e corrigindo eventuais deformidades e desvios em relação à política que rege a Universidade Centenária. Cabe a este eixo estratégico, coordenar o desenvolvimento institucional, administrar os recursos e os capitais organizacionais para o atingimento das metas que levarão ao cumprimento da Missão da UFPR, e, com olhar através de lentes isentas de distorções políticas ou ideológicas, caminhar sempre em alinho com Visão Institucional, com o objetivo principal de fomentar o crescimento da UFPR enquanto universidade pública gratuita e de qualidade, mantida com recursos públicos e de interesse da sociedade e do Estado.

Figura 5: Pilares estruturantes da estratégia de gestão da UFPR

3.1 Políticas de Ensino UFPR
3.2 Políticas de Pesquisa UFPR
3.3 Políticas de Extensão UFPR
3.4 Políticas de Inovação na UFPR
3.5 Políticas de Internacionalização UFPR
3.6 Políticas de Gestão UFPR
4 Avaliação e acompanhamento do desenvolvimento institucional

Na condição de instituição de ensino superior centenária, a Universidade Federal do Paraná tem experimentado diferentes enfoques e práticas gerenciais e de avaliação, frutos de mudanças conjunturais internas e externas. A velocidade das transformações sociais e a rápida evolução do conhecimento têm demandado uma mudança no perfil da Instituição, provocando uma expansão na oferta de cursos e melhorias nos serviços prestados pela Instituição, perseguindo metas de eficiência e eficácia, com inovação e tecnologia.

Todo mecanismo de planejamento deve possuir um de controle, de forma a completar o ciclo planejamento–organização–direção–controle. Dessa forma, a avaliação institucional é mecanismo fundamental para os bons resultados do planejamento.

Ao longo dos anos recentes, a UFPR tem buscado um processo de avaliação integrado capaz de analisar toda a instituição, resultando a melhoria constante da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão realizadas na UFPR, tripé fundamental de sua existência. A avaliação institucional deve possibilitar a construção de um projeto acadêmico sustentado por princípios como a gestão democrática e a autonomia diretiva, que visam a consolidar a responsabilidade social e o compromisso científico-cultural e cidadão da instituição.

A CPA − Comissão Própria de Avaliação da UFPR, impulsionada pela Lei Nº 10.861, de 14 de Abril de 2004, e regimentada pela Resolução Nº 15/05-COUN, é o organismo interno responsável pela coordenação e condução das políticas de avaliação institucional.

Este grupo de trabalho, constituído por representantes da comunidade interna e da sociedade civil tem a incumbência de, por meio de inteligência administrativa, mensurar e traduzir sob a forma de indicadores de sensibilidade, as ações desenvolvidas no ambiente universitário, além de visualizar o nível de alinhamento do perfil das atividades universitárias com a missão e o Plano de Desenvolvimento Institucional. Além disso, assumir a condição de repositório de elementos avaliativos produzidos em eventos que, de alguma forma, envolvam a marca UFPR.

Por meio da avaliação é possível identificar estratégias emergentes, instrumentos e ações institucionais necessárias para a formulação de políticas acadêmicas de mais amplo alcance (no real sentido estratégico) e, ao mesmo tempo, fornecer subsídios para a necessária prestação de contas à sociedade. Nesse sentido, a avaliação institucional é um processo por meio do qual não só a Universidade se conhece, como se torna conhecida por outros setores da sociedade.

A participação dos membros da comunidade acadêmica é componente fundamental desse processo, bem como a promoção da articulação entre avaliação, planejamento e o processo de tomada de decisões, tornando possível que a avaliação institucional atue efetivamente como instrumento de mudança e correção de rumos.

5 Compromisso social

A Universidade Federal do Paraná cresceu exponencialmente ao longo dos seus mais de cem anos de existência. Hoje (2018), além dos seus 134 cursos de graduação e dois cursos técnicos subsequentes, oferta em seus programas de pós-graduação stricto sensu 87 cursos de mestrado e 61 de doutorado. Nos programas lato sensu, disponibiliza à sociedade 74 cursos de especialização ou MBAs, 53 cursos de residência médica e 34 de residência multiprofissional.

O acesso à educação superior na faixa etária de 18 a 24 anos mais que dobrou no período 2000−2010. A proporção destes jovens que declararam ter tido acesso a este nível de ensino era de apenas 9,1% no ano inicial deste período, mas ao final atingia 18,7% do total (CORBUCCI, 2014).

Com efeito, a demanda pelo ensino superior vinha crescendo no Estado, com imediata resposta das instituições públicas e privadas, que também elevaram o número de vagas e agora estão passando por dificuldades orçamentárias e financeiras. Os números atestam que a relação demanda/oferta mantém-se significativa, especialmente no tocante ao ensino gratuito, como é o caso da UFPR, alertando que, a fim de cumprir seu papel social, deve manter uma dinâmica de permanente adaptação aos novos tempos.

Outra singularidade que realça a necessária adaptabilidade da Instituição é o fato da Mesorregião Metropolitana de Curitiba, onde a UFPR concentra seu maior efetivo em pessoal e infraestrutura física, ser aquela que, dentre as 10 mesorregiões do estado, apresentará de 2008 a 2020 a maior variação (16%) da fração populacional de idade entre 18 e 22 anos com acesso à educação superior. O valor corresponde a quatro vezes a projeção para o estado como um todo, reforçando o papel das IES de Curitiba e região metropolitana em atender esse contingente de novos universitários, correlacionando demandas da sociedade com políticas públicas.

O compromisso social na UFPR traduz-se, também, nas práticas acadêmicas voltadas a princípios que primam pelo bem-estar das comunidades interna e externa e pelo exercício dos direitos e deveres enquanto cidadãos envolvidos com o desenvolvimento sustentável, tendo como diretriz a formação da cidadania.

Deverão prosseguir, também, as ações desenvolvidas pelo Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais, vinculado à Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional, e o Núcleo de Apoio a Ações Afirmativas para Inclusão Social em atividades de pesquisa e extensão, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura.

Ainda no escopo social, a UFPR, com recursos do Sistema Único de Saúde, se apresenta como importante porta de acesso da comunidade aos serviços de saúde médico-hospitalares, de maneira gratuita. Este serviço acontece por meio dos Hospitais Universitários do Complexo Hospital de Clínicas e do Hospital do Trabalhador, conveniado à FUNPAR. Juntos disponibilizaram à população 788 leitos e realizaram 36.114 internações, 2.560.528 exames complementares, 24.344 cirurgias e 118 transplantes. O CHC-UFPR constitui centro de excelência em algumas áreas capitais, recebendo pacientes também do interior do Paraná e de outros estados.

Menção deve ser feita, ainda, aos dois hospitais veterinários, em Curitiba e Palotina, que servem prioritariamente às atividades de ensino do Curso de Medicina Veterinária, mas prestam, também, assistência em clínica médica, clínica cirúrgica, teriogenologia, e diagnósticos laboratoriais à comunidade em geral.

O compromisso social da UFPR manifesta-se, ainda, por meio de suas ações culturais, desenvolvidas pela Coordenadoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Os Grupos Artísticos Orquestra Filarmônica, Coro, Grupo de MPB, Companhia de Teatro Palavração e Téssera Companhia de Dança se apresentam em espaços dentro e fora da Universidade por meio de eventos gratuitos com excelência artística. A participação nos grupos artísticos da UFPR é aberta a alunos, servidores técnicos-administrativos, professores e pessoas da comunidade externa, o que se configura como uma possibilidade democrática na experiência com linguagens artísticas, independentemente do vínculo com a Universidade. O Curso de Dança Moderna da UFPR, vinculado à Téssera Companhia de Dança, tem como objetivo atender aos jovens na faixa etária a partir dos nove anos de idade, pertencentes à comunidade interna e externa da UFPR, proporcionando-lhes o aprendizado e a prática da dança moderna gratuitamente, instrumentalizando-os mediante a transmissão de conhecimentos teóricos e práticos, assumindo a tarefa de contribuir com a formação deste bailarino (física e tecnicamente) e para a renovação, desenvolvimento, pesquisa e produção da cultura. O Projeto de Musicalização por meio do Canto Coral tem como objetivo oferecer a crianças e jovens da faixa etária de sete a quatorze anos a oportunidade de conhecer os códigos da escrita musical. Para tanto, usam-se os recursos da voz, entendendo-a como instrumento. Em todos os ensaios são abordados exercícios de técnica vocal, relaxamento, concentração, percepção auditiva, coordenação motora, expressão corporal e ritmo, elementos esses que desenvolvem as habilidades necessárias a um bom músico.

No plano econômico, observa-se que a UFPR se localiza na mesorregião que concentra maior parcela do PIB do Estado – 42,1% em 2014. Parcerias da Universidade com instituições públicas e privadas ocorrem de longa data, mas almeja-se a sua ampliação no período 2017–2021, inclusive com instituições de outras regiões, como por exemplo: a comunidade do agronegócio do oeste do Estado. De fato, o Estado do Paraná é vocacionado em muitos setores produtivos, o que permite ampla interação para fins de transferência de tecnologia e formação de profissionais. Cooperações já existentes deverão ser mantidas e ampliadas, e novas criadas.

6 Metodologia de construção do PDI

A Universidade Federal do Paraná, por se tratar de uma Instituição Federal de Ensino, pública e gratuita, busca a cada novo momento, fazer o melhor uso dos recursos públicos a ela confiados. O propósito da gestão é transformar estes ativos e capitais em objetos de valor, capazes de serem percebidos além das delimitações do ambiente acadêmico.

Pensando nisso, a atual equipe gestora, no intuito de maximizar a força e a expressão do nome UFPR no mercado cada dia mais competitivo, está redirecionando e remodelando as estratégias de gestão para o reconstrutivismo.

6.1 A UFPR e o Modelo Reconstrutivista de Gestão
6.2 Ferramentas de Planejamento
7 Objetivos estratégicos

A seguir, serão elencados os planos estratégicos de trabalho para o quinquênio 2017–2021, procurando o constante alinhamento à MISSÃO e VISÃO organizacional e, aos Pilares Estratégicos da Universidade Federal do Paraná, constantes neste documento.

Estes planos derivam dos anseios de comunidade universitária, definidos inicialmente nos encontros e reuniões de discussão, ocorridos em abril de 2017. E uma segunda carga, captada em nova rodada de encontros e discussões aconteceu no segundo semestre de 2018, onde foram rediscutidas, revisadas e revalidadas as propostas anteriores e acrescentados novas demandas de planejamento, administrativo e pedagógico. Nesta oportunidade, a PROPLAN, por meio da sua Coordenadoria de Planejamento Institucional, procurou reorganizar os objetivos estratégicos, conforme prerrogativas do instrumento de Sant’Ana et al. (2017), provocando, tanto o agente demandante, quanto demandado, a gerar metas e indicadores, de tempo, orçamentário e financeiro, de valor, de eficiência e eficácia, de riscos, e outros sinais relevantes ao implemento do modelo de gestão administrativa reconstrutivista.

7.1 EN − Ensino
7.2 PQ − Pesquisa
7.3 EX − Extensão
7.4 IN − Inovação
7.5 IT − Internacionalização
7.6 GE − Gestão
7.7 Demandantes e Executores dos Projetos
8 Resultados institucionais

Conforme mencionado no capítulo quarto deste PDI, caberá à CPA – Comissão Própria de Avaliação da UFPR, na condição agente avaliador institucional, identificar e avaliar o cumprimento dos objetivos estratégicos elencados neste Plano de Desenvolvimento Institucional, identificando as potencialidades, nível de desenvolvimento e qualidade, fatores limitadores (gargalos) dos planos de ação dos objetivos, avaliação do cronograma, e demais elementos que afetam os objetivos descritos neste documento e seu impacto na percepção do valor institucional, levantando dados de quali e quantitativos sobre as entregas realizadas pelas unidades executoras.

Ficará a cargo da Comissão, definir o método e os parceiros a serem envolvidos na medição do nível de sucesso de PDI.

É esperado que ao final do exercício administrativo financeiro de 2021, as fichas de trabalho (propostas de projetos), possam estar concluídas e preenchidas, para elaboração do documento de prestação de contas e do Plano de Desenvolvimento Institucional 2022 − 2026.

Referências

BRASIL. Controladoria Geral da União. Coletânea de Entendimentos Gestão de Recursos das Instituições Federais de Ensino Superior e dos Institutos que compõem a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica: Perguntas e respostas. Edição Revisada. Brasília: CGU, 2013.

_________. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília, 1988.

_________. Instrução Normativa Conjunta MP/CGU Nº 01, de 10 de maio de 2016. Ministério da Economia [Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão] e Controladoria Geral da União. Brasília: 2016.

_________ Tribunal de Contas da União. Relatório de Gestão na Forma de Relato Integrado: evolução na prestação de contas. Brasília: TCU, 2018. [versão impressa].

CARVALHO, J.R. América Latina e o Caribe Devem Manter o Debate. in: Educación Superior para Todos; Boletín del Instituto Internacional para la Educación Superior en América Latina y el Caribe, informa sobre Educación Superior. Ed. 197. Caracas: IESALC, 2009.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO. Planejamento Estratégico do Sistema CFA/CRAs: 2019−2022. Brasília: CFA, 2019.

CORBUCCI, Paulo R. Evolução do Acesso de Jovens à Educação Superior no Brasil. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Brasília: Rio de Janeiro: IPEA, 1990.

CUNHA, Luiz A. A Universidade Temporã: O ensino superior, da Colônia à Era Vargas. 2 ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1986.

FELIX, Rozelito; FELIX, Patrícia P.; TIMÓTEO, Rafael. Balanced Scorecard: adequação para a gestão estratégica nas organizações públicas. Brasília: ENAP, 2011 in Revista do Serviço Público da Escola Nacional de Administração Pública.

KIM, W. C.; MAUBORGNE, Renée. A Estratégia do Oceano Azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. 1 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

LACHTERMACHER, Gerson. Pesquisa Operacional na Tomada de Decisões: modelagem em Excel®. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

LIMA, Ari. A Estratégia do Oceano Azul na Empresa Nacional. 29 fev 2008.

MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva M. Metodologia do Trabalho Científico. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

MOREIRA, C. A. In: BURMESTER, A.M.O. (org) et al. Universidade Federal do Paraná: 90 anos em construção. Curitiba: Editora UFPR, 2002. 112 p. NÓVOA, António. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: Educa, 2009.

NORTON, David P.; KAPLAN, Robert S. Strategy Maps: converting intangible assets into tangible outcomes. Boston: Harvard Business School Press, 2004. In BRASIL; Escola Nacional de Administração Pública; Curso de Planejamento Estratégico para Organizações Públicas. Brasília: ENAP 2018.

SANT’ANA, Tomás D. et al. Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI: um guia de conhecimentos para as Instituições Federais de Ensino. Alfenas: FORPDI, 2017.

WACHOWICZ, Ruy C. Universidade do Mate: história da UFPR. Curitiba: Editora UFPR, 1983.

WESTPHALEN, Cecília M. Universidade Federal do Paraná: 75 anos. Curitiba: SBPH-PR, 1987.

Links

Redes Sociais

UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Youtube
Universidade Federal do Paraná
Pró-reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças
Rua XV de Novembro, 1299 - Sobreloja
Telefones: (041)3360-5121 / 3360-5406 | Fax: 3360-5208
CEP: 80060-000 - Centro - Curitiba (PR) - Brasil

UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Youtube
Pró-reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças
Rua XV de Novembro, 1299 - Sobreloja
Telefones: (041)3360-5121 / 3360-5406 | Fax: 3360-5208
CEP: 80060-000 - Centro - Curitiba (PR) - Brasil

Imagem logomarca da UFPR

©2021 - Universidade Federal do Paraná - Pró-reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças

Desenvolvido em Software Livre e hospedado pelo Centro de Computação Eletrônica da UFPR